Em visita à Índia e Singapura, reitor da UNIFEOB destaca a alta qualidade educacional dos países

Em visita à Índia e Singapura, reitor da UNIFEOB destaca a alta qualidade educacional dos países

O reitor da UNIFEOB, João Otávio Bastos Junqueira, participou de uma comitiva brasileira que esteve em Missão Técnica em Singapura e na Índia, de 1 a 13 de maio.

A organização dessa missão foi feita pelo Semesp, instituição pioneira na realização de visitas técnicas em países que são referências em educação superior.

O reitor da UNIFEOB, que também é Diretor de Relações Institucionais do Sindicato, foi um dos 42 convidados para fazer parte da comissão que esteve na Ásia.

João Otávio destaca que estes países mudaram suas realidades ao apostarem na educação. “A grande lição foi essa: países distintos, diferentes de tamanho, de cultura, de religiosidade, de arrecadação, mas que escolheram a trilha da educação para solucionar problemas”.

Singapura e Índia

O primeiro país visitado pela comitiva brasileira foi Singapura, localizado no sudeste asiático.

O reitor explica que o país é bem pequeno, com 700 km², quase do tamanho de São João da Boa Vista (500 km²), mas com uma população de 5 milhões de pessoas. “Até a década de 50 lá era uma vila de entreposto comercial e de pescadores. De lá para cá deu um salto de qualidade e hoje talvez seja um dos maiores PIBs (Produto Interno Bruto) per capita do mundo, uma condição de vida fantástica, tem muita inovação e tudo funciona”, afirma.

Já a Índia, o oposto: é o segundo país mais populoso do mundo e o sétimo maior em área geográfica. “Um país que tem mais ou menos a metade do Brasil de tamanho, com 1,3 bilhão de pessoas vivendo lá (seis vezes a população brasileira), com uma cultura de 5 mil anos e que até a metade do século passado era uma colônia inglesa”, conta João Otávio.

“Eles [indianos] têm nove prêmios Nobel, estão na corrida espacial e têm o domínio da bomba atômica. Uma das cidades que visitei, Bangalore, vai ultrapassar o Vale do Silício em arrecadação com tecnologia da informação. É um país influente, com 250 milhões de alunos na educação básica, 40 milhões no ensino superior e quer chegar a 60 milhões daqui quatro anos”, detalha o reitor.

A expectativa é que a Índia se torne a terceira economia do mundo em 2030, atrás apenas da China e Estados Unidos. “Para se ter uma ideia, a Índia tem 400 mil doutores estudando em escolas de primeira linha pelo mundo. E esses talentos voltam para a Índia para desenvolver seu país”.

Apesar das suas diferenças, João Otávio reforça que o que estes dois países têm em comum é que eles apostaram na educação, planejaram e, principalmente, estão executando um projeto de educação que tem gerado grande transformação.

Inspiração para o Brasil

Após conhecer as realidades destes países asiáticos, João Otávio diz que é frustrante chegar ao Brasil e notar que a discussão que está em pauta é de assuntos que não têm a ver com o processo de aprendizado. “A gente fica discutindo coisas que de fato não impactam na vida do aluno, no processo dele ser um cidadão mais autônomo, de saber estudar, ter seu livre arbítrio. A educação não é apenas conhecimento técnico e aumento de produtividade do país, mas sim o caminho para se ter dignidade e inserção social. Por aqui muito se fala nisso, mas não executa”, ressalta.

“Nosso país continua com um acesso limitado a educação superior, uma educação básica de péssima qualidade e a gente fica discutindo coisas que não vão no centro da questão. A gente perde tempo radicalizando ideologias, usando mídia eletrônica para fustigar um ao outro, e as coisas acontecendo e o tempo passando”, critica.

João Otávio defende que a formação de professores, a valorização e a permanência dos docentes é um ponto significativo na educação brasileira. “Isso é muito mais importante, por exemplo, do que escolas bem montadas. Na Índia vi alunos estudando em instalações muito simples, mas com professor. Ai você não entende como lá funciona uma universidade de ponta. Mas, quando você conversa com alunos e professores, você compreende o motivo porque a valorização está nos neurônios e não apenas nos ambientes. É bom estudar num ambiente bom e bonito? Claro que sim. Mas, antes disso a gente precisa ver a questão da retenção de talentos para professores”, opina.

Para o reitor só existe um caminho: “Precisamos falar em educação como um planejamento estratégico para o país, que perpasse governos e ideologias”.

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