Aluno da UNIFEOB descobre sítio arqueológico

Aluno da UNIFEOB descobre sítio arqueológico

Após as férias, o aluno Rodrigo de Sousa Ferreira, entrará no 4º módulo no curso de Licenciatura em História, na UNIFEOB. Durante anos, Rodrigo coletou diversas pedras com formatos diferentes nas margens da represa de Furnas, no sul de Minas Gerais, no início ele não imaginava, mas acabou por descobrir que eram fósseis com cerca de sete milênios de antiguidade.

Essa história começou com o pai de Rodrigo, natural de Areado-MG,  que costumava pescar e trabalhar na beira da represa de Furnas e sempre se deparava com pedras estranhas, com formatos diferentes do usual. Algumas pequenas e pontudas (como pontas de flechas), atribuídas aos índios antigos, que teriam habitado a região, outras, maiores e rombudas, chamadas por vários moradores locais de pedras de raio (nome dado devido ao mito de raios materializados e nocivos às pessoas, pois trariam má sorte), na verdade, eram machados de pedra polida.

“Meu pai coletava todo tipo de pedra que encontrava e guardava por possuirem uma anatomia bem interessante”, pontua o aluno.

Rodrigo foi crescendo e se interessando por estes materiais. “Comecei a pesquisar e me informar do que se tratava, passei a reunir esse material e guardá-los juntamente com os que meu pai já havia coletado durante os anos”, destaca Rodrigo.

Atualmente o aluno da UNIFEOB possui uma coleção com mais de 100 exemplares de pontas de flecha, um pequeno pingente de rocha polida, com o furo perfeito para passar um cordão e lâminas de machado, uma delas com 6 cm de tamanho e outra com 27 cm.

O futuro historiador conta que os sítios arqueológicos se encontravam a mais de 5m de profundidade do solo, mas com a construção da linha ferroviária Cruzeiro-Tuiuti (depois Juréia), alguns locais da região foram terraplanados, anos depois, a linha ferroviária foi desativada para construção da represa de Furnas.

“Quando a represa ficava cheia, cobria a ferrovia, peneirando com a água da maré, o solo e os barrancos de terra, assim, as pedras encontrados por meu pai e por mim apareciam”.

Quando Rodrigo teve contato com o professor Alexandre Robazzini, da UNIFEOB, aprendeu mais sobre o tesouro que guardava.

Descobriu que as pontas de flecha poderiam ter uma antiguidade superior a sete milênios. E as pedras de raio, eram machados de pedra polida, de povos agricultores, que produziam cerâmica e que habitaram as regiões do sul de Minas Gerais e norte de São Paulo, em datas que variam entre os séculos X e XVII. “Aconselhado pelo professor Alexandre Robazzini, decidi contatar o Museu Arqueológico do Carste do Alto São Francisco (MAC), para doar toda a coleção que reuni. Foram alguns meses de conversação, que culminaram no traslado do material. Agora as peças são parte da reserva técnica do museu”, comenta Rodrigo, que descobriu o sítio arqueológico Harmonia e Movimento, nomeado pelo arqueólogo Gilmar Henrique, do MAC.

De volta à UNIFEOB, juntamente com o professor Robazzini, Rodrigo começou o projeto de iniciação científica para contribuir com uma melhor análise dos povos que habitaram no sul de Minas Gerais. Para que futuramente seja possível um levantamento mais detalhado da influência desse grupo sobre a região e o impacto físico de sua presença neste ambiente, como também um levantamento histórico sobre essa região, segundo ele, ainda pouco estudada.

O projeto mostrará também como a ação humana impacta na destruição da memória cultural de um povo, a construção da linha ferroviária, a desativação por causa da construção da represa de Furnas, que levou a transformação do perfil paisagista da região e degradação dos sítios arqueológicos ali encontrados como também a represa de Furnas inundou qualquer vestígio de sítios arqueológicos ainda não descobertos.