Entrevista da Professora Patrícia Furlanetto sobre o Dia Internacional da Mulher

A Professora Patrícia Gomes Furlanetto, historiadora, Procuradora Institucional e coordenadora das licenciaturas na UNIFEOB concedeu uma entrevista ao Jornal O Município sobre o Dia Internacional da Mulher. Confira a entrevista na íntegra.

Daniela Prado – Jornal O Município: O que você citaria como pontos que evoluíram na vida e carreira feminina desde que a data 8 de março foi instituída como Dia Internacional da Mulher?

Professora Patrícia Furlanetto: Ao longo da história, a luta das mulheres foi pontuada por tragédias. O episódio do incêndio na fábrica têxtil da cidade norte americana de Nova York, que vitimou mais de cem mulheres quando reivindicavam direitos trabalhistas ou no Brasil, entre os anos 1950 e 1960, que mulheres foram presas e torturadas por participarem de greves por melhores condições de trabalho. Atualmente, a luta das mulheres é por uma vida livre de violência e pela igualdade de direitos e oportunidades. Portanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. A mulher conquistou seu espaço no mercado de trabalho, mas ainda é desvalorizada com salários mais baixos e minoria em posições de liderança. A mulher conquistou a autonomia de sua própria vida, mas ainda sofre preconceito quando tem filhos e/ou não é casada, por exemplo. Mas a conquista por direitos que buscam preservar a segurança da mulher é um grande avanço, como a Lei Maria da Penha, que coloca em discussão números absurdos da violência doméstica no Brasil, como receber uma denúncia de violência contra a mulher a cada 7 minutos. 

O Dia Internacional da Mulher não é uma simples homenagem, é uma oportunidade para refletirmos a igualdade e o respeito pelo próximo, principalmente por uma parcela tão grande da população que sofre diariamente um preconceito muitas vezes velado.

Daniela Prado – Jornal O Município: E o que você considera que ainda não se modificou totalmente?

Professora Patrícia Furlanetto: O machismo está enraizado e muitas pessoas ainda não conseguem refletir. Mas a mudança é gradual. Dia a dia podemos observar que essa discussão está mais ampla e atingindo um público maior. Uma das coisas que precisa se modificar é justamente o espaço para expormos a real situação da mulher e o longo caminho na luta contra o preconceito. A nossa cultura patriarcal ainda alimenta e sustenta uma mentalidade coletiva que define até onde a mulher pode chegar. E quando ela supera estes limites, comumente sofre represálias preconceituosas sobre a sua feminilidade ou mesmo sua orientação sexual. 

Daniela Prado – Jornal O Município: Sobre a questão anterior, quais os possíveis entraves para este progresso?

Professora Patrícia Furlanetto: Os maiores entraves são a falta de diálogo e a cultura machista que alimenta o humor e o cotidiano social. A sociedade mantém conceitos antigos e que colocam a mulher em posição inferior, com menos possibilidades de escolha. Ainda sofremos para dar opinião sobre a roupa mais adequada, sobre o tipo de trabalho, ou seja, ainda discutimos o que a mulher pode ou não fazer. Estas questões são exemplos claros do quanto ainda temos que caminhar em direção à igualdade de gêneros.

Daniela Prado – Jornal O Município: Em relação ao salário e ocupação de certos cargos ainda ser mais satisfatório para os homens, por quais possíveis razões as coisas ainda são assim?

Professora Patrícia Furlanetto: Os salários ainda são mais baixos para as mulheres e as posições de chefia ainda mantém a maioria masculina. Porém, a discussão deve ir mais além. Muitas empresas obrigam as colaboradoras a usarem salto alto, definem o tipo de maquiagem. Não levam em consideração o prejuízo que o salto traz a saúde e nem o livre arbítrio de maquiar-se ou não. O foco está na aparência feminina e não em sua capacidade de desenvolver a atividade profissional.

A Professora Patrícia Furlanetto declarou que a UNIFEOB é a única parceira brasileira da AAUW – American Association of University Woman, que trouxe diversas oportunidades em treinamento e capacitação paras as alunas da instituição e para a comunidade regional. O objetivo é fundamentalmente o empoderamento feminino, incentivando seu ingresso no ensino superior e luta por sua maior participação no mercado. O intuito é garantir e expandir o espaço feminino no Brasil em todas as áreas da economia.