Temer e o frigorífico

Temer e o frigorífico

Sei que tem muita carne debaixo desse angu, como o diz ditado popular. Mas atrevo-me a escrever este texto ainda sem muita clareza das causas e consequências dos episódios envolvendo o dono da JBS, o bilionário Joesley Batista, que enriqueceu rapidamente nos últimos 13 anos com muita ajuda do BNDES. O mesmo senhor que agora pede desculpas ao Brasil por praticar pagamentos indevidos para viabilizar seu espírito empreendedor, incluindo compra de procurador e juiz. No acordo, ele paga uma multa irrisória e segue leve e solto para o Central Parque para acompanhar o desenrolar da história de seus atos.

Em tempo, será que o Janot toparia fazer acordo de delação premiada com o procurador preso?

As gravações vazadas pela Globo, quem diria, expuseram o dito empresário num diálogo com Aécio Neves, um então Senador da República, usando termos que deixariam Marcola e Fernadinho Beira Mar envergonhados. Ainda bem que agora ele será um aposentado quase Presidente da República.

Vazou também uma conversa estranha entre o mesmo empresário que falava uma língua que parecia o português e o Presidente da República, que recebe um cidadão à noite em sua residência oficial, quase às escondidas, ouve a confissão de uma série de crimes e prevaricações, não age como chefe de uma nação.

Temer, na sequência, dirigiu-se ao país e sem explicar-se, disse que não renunciará e colocou-se como condutor das reformas que o país tanto precisa.

Senti-me refém dentro dessa disputa maniqueísta e hipócrita entre integrantes dessa quadrilha suprapartidária que tomou de assalto nosso país. Sempre ressalvando as honrosas exceções.

Se correr, o bicho pega; e se ficar, ele come. A que ponto chegamos.

Dizíamos que precisávamos passar por algo agudo para, finalmente, nos fortalecermos como nação soberana. Talvez, este episódio seja, enfim, o ponto de inflexão a partir do qual agora vamos iniciar a subida.

Para tanto, nosso desafio é nos livramos dessa mediocridade intelectual que divide os cidadãos na defesa de seus bandidos favoritos.

O Brasil carece de pessoas com pensamentos isentos, novos e compromissados com o país e não com seus interesses imediatos.

Para cada corrupto, existem 8 mil doadores de sangue; para cada pessoa que acha que tudo vai piorar, há 100 casais planejando ter filho. Há inúmeros exemplos e razões para acreditar que os bons são maioria.

Temos que seguir acreditando, praticando o bem, apropriar-se de nossos direitos, participar ativamente dos destinos do país e não terceirizar nossas responsabilidades.

João Otávio Bastos Junqueira é Reitor da UNIFEOB, já atuou como professor de Medicina Veterinária na instituição. Atualmente, também ocupa o cargo de tesoureiro da ABRUC – Associação Brasileira das Universidades Comunitárias.